O ensino da geografia historicamente tem ocupado lugar de destaque no meio escolar desde o século XIX até os nossos dias, preocupada segundo BRABANT “... em tratar do mundo que nos rodeia”, seja desempenhando uma função “patriótica e positiva” ou seja possibilitando uma tomada de consciência critica e cidadã da pessoa humana diante da realidade vivida. Neste contexto, pensar e discutir as relações intrínsecas entre geografia e ensino são condições indispensáveis para compreender o papel social desta ciência que atravessa este milênio ainda sob o impacto deixado pela crise de seus paradigmas que iniciou-se por volta de 1970 com seu movimento de renovação.
Como se sabe as praticas pedagógicas desenvolvidas pela maioria dos professores de geografia encontram-se muitas vezes distantes da realidade dos alunos. O atual período histórico em que vivemos impõe conteúdos cada vez mais globalizados a serem ministrados pelos professores, na maioria das vezes preocupados em cumprir o papel de preparar o aluno para prestar vestibular e garantir a mão-de-obra especializada para o capital que se globalizou tornando-se planetário. Este processo suscita uma pratica pedagógica autoritária e pouco critica na medida em que não se leva em conta a realidade onde os educandos estão inseridos, inculcando nestes conforme constata OLIVEIRA “...valores que servem para afirmar a dominação burguesa, mesmo que sob os princípios de liberdade e igualdade”. O professor objetivando uma pratica conteudista acaba impondo conhecimentos que pouco significado tem para a vida dos alunos contribuindo assim para reproduzir dominação burguesa e para o fracasso escolar.
Desta forma é preciso submeter as praticas pedagógicas dos geógrafos a um debate mais critico para que se possa apontar caminhos para a construção de uma geografia libertadora, dialógica e desveladora da realidade concreta dos sujeitos históricos.
O estreitamento do contato da geografia com outras ciências é condição indispensável para aprimoramento deste processo, pois a realidade é dinâmica, e exige a busca de novas direções e coordenadas teórico-metodológicas capazes de interpretar e explicar esta realidade. È desta forma que o ensino da Geografia na Escola Superior Madre Celeste – ESMAC- vem evoluindo, com muita responsabilidade, através da renovação do seu conteúdo, dos conceitos, das técnicas de análise e das praticas de ensino.
A formação do acadêmico do curso de Geografia da ESMAC caminha nesta direção, levando em conta a natureza da ciência geográfica na sua dimensão de “saber escolar” produzido e sistematizado historicamente pela humanidade.
Profa. Maria do Socorro Oliveira Teixeira
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