O SENTIDO EDUCACIONAL DAS PRÁTICAS CORPORAIS
Dr.ª Marta Genú Soares Aragão
Observando as práticas corporais que se massificaram no cotidiano, percebemos que o campo das ginásticas e da musculação (ou exercícios resistidos) em academia são os ícones atuais. Seja por questões da estética ou visando a saúde, a prática de atividades físicas em academia está cada vez mais presente na vida das pessoas. A procura por um corpo belo e bem trabalhado interfere na vida cotidiana das pessoas e o modelo de beleza que a sociedade propõe é condição de aceitação nesta mesma sociedade.
A aparência física , ao que parece, é o principal motivo da busca para a prática de atividade física. Aumento de massa muscular e definição dos diferentes segmentos corporais, para os homens, e o emagrecimento, para as mulheres, tornaram-se finalidades únicas no contexto das academias de ginástica.
Mesmo sabendo que o padrão de beleza pode ser definido historicamente ou proposto no decorrer da convivência em sociedade, são notórias as afluências em torno desse assunto. A mídia, por exemplo, veicula um protótipo de corpo que se pretende belo e, portanto, socialmente aceito. No entanto, a beleza pode apresentar-se sob outros cânones que não a simetria e a perfeição.
E, se existe um espaço entre o sujeito e o objeto nesta percepção da beleza, podem existir também forças que influenciem essa percepção, neste texto focalizamos a mídia. Esta nos envolve diariamente, entrando em nossas casas, fazendo-se presente no cotidiano, e veiculando mensagens que acabam por constituir uma pedagogia própria. A mídia extrapola as diversidades culturais, ao padronizar e massificar os cidadãos, transformando-os em personagens obcecados em consumir, em reproduzir em refletir o que é mostrado nos anúncios publicitários.
Frente às exigências da sociedade midiática e as relações mercadológicas impostas pelo sistema socioeconômico, se deparam corpos mercadorias comercializados pela indústria cultural, da beleza, do emprego, e da saúde, em função das relações sociais estabelecidas pelo sujeito, considerando a natureza humana e a necessidade do convívio social que prescinde de trocas entre os sujeitos e destes com o mundo. Tais trocas perpassam pela adoção de códigos e regras que prescrevem modelos de vida, de educação e de saúde. Modelos e conceitos que acabam por ditar normas de conduta sobre o corpo e a própria vida.
Com relação ao corpo, sempre tratado de modo sensual e atlético, a mídia consegue influenciar e em algumas vezes até determinar uma imagem corporal dita perfeita. Corpos esculpidos a severo custo que passam por uma “tortura” de treinamento que não fazem emergir a figura da pessoa ─ ser humano ─ e sim de um corpo estereotipado que pode não expressar a singularidade de cada sujeito.
Imaginemos, por exemplo, a transformação existente nos corpos de crianças e adolescentes, influenciados pela mídia, frente a todas as adaptações e aceitações do seu “novo” corpo, por quais passam. Mesmo vivendo em meio a uma metamorfose interna e externa, os adolescentes ainda têm que se preocupar em se enquadrar ao padrão de beleza imposto pela mídia, e tem que fazê-lo já, porque pela mídia o corpo belo é associado à juventude.
Há que se admitir as diferentes dimensões das práticas corporais, incluindo o esporte de rendimento ou a ginástica de academia, ou ainda a brincadeira de rua ou o jogo da escola. Todas as práticas corporais que podem emanar das experiências vividas pelo sujeito, da vivência social construída no seio da família e vizinhança. É possível admitir a prática que almeja a vitória ou a superação de limites, bem como a satisfação pessoal do corpo belo, desde que seja uma atividade consciente e que traga, para o sujeito, a superação de limites na ordem do crescimento pessoal e do reconhecimento das potencialidades que afloram em cada um.
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